quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

PERIFERIA




Liu Sai Yam

Campos Espaços, ou, Legalismo o caralho. 

Quem não entra em camburão pra fazer selfie.

Se entra é pra não "desentrar" nunca mais.
Além da nossa vã filosofia, 

nossas especulações sensatas,

racionais, dialéticas, 

nossos condomínios em dia, 

nossas recriminações inócuas

inofensivas

(nós, a piada pra classe dominante; 

nós, os perigosos subversivos das plaquetas).

A periferia nos reduz ao mesmo senso reles, 

oportunista e de bom tom.
Sabem o que é partir pro pau, 

vivem sob o signo do pau. 

Não sabem de Marx (ainda), 

nem Bakunin (ainda), 

mas Marx e Bakunin haverão de correr atrás deles 

pra redigir manifestos e libelos. 

Ave, nós, quem vai pro sacrifício nos saúda. 

Pra variar, estarão na linha de frente 

pra administrar as cagadas que fizemos. 

A maioria não sabe o que levar pra janta da família, 

A maior parte nem sabe se vai voltar pra janta. 

A maior parte nem sabe se haverá casa no retorno.


A maior parte nunca seremos nós.

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